Selene
(2)
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maria helena sleutje s
Saiu do quarto, meio perturbada com aquela figura
estranha no espelho, e foi caminhar pela praça. Sentou-se num banco tentando
sondar-se mais atentamente. O sorveteiro parou seu carrinho diante do banco
onde estava sentada. - Vai um sorvete hoje? Perguntou sorridente. Procurou
dentro da bolsa uma nota de R$10,00 para comprar um sorvete de caixinha. Olhou
para o sorvete pensando que não devia identificar-me com ele. Sorriu. Esta
identificação é uma construção mental, apressou-se a se alertar. Construções
mentais podem ser prisões disfarçadas que nos impedem de ver a realidade. Que
realidade? Era a outra do espelho ou o sorvete? Fabricava a realidade?
Levantou-se e caminhou até o outro lado da praça. Viu um casal de namorados se
beijando. O amor também é uma construção mental? Perguntou-se para provocar-se
um pouco mais. A tarde caia calma e silente. Aos poucos a luz do sol foi se
afastando para outros mundos e levando consigo seus questionamentos, sua
ignorância sobre a vida, deixando-a assim recolhida em si mesma, como uma
concha que luta contra o medo, mas ainda não conseguiu destruí-lo por completo.
Era aquela outra do espelho... Precisava se assumir por completo.

O medo em se abrir, e sei que dentro há uma pérola amada e querida, que vida linda e repleta de interrogações, dúvidas?
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