quarta-feira, 2 de maio de 2018

SELENA
(1)

maria helena sleutjes




Colhia flores e frutos 
para apaziguar seu desejo,
e então, comia-os um a um. 
De vez em quando, 
recitava pequenas canções 
para ninar vaga-lumes 
perdidos no meio do dia. 
É claro que vivia 
fora da órbita do planeta, 
e vestia-se 
com a transparência da lua, 
todas as noites. 
Adormecia 
em estado de vigília constante 
porque a vida era 
muito estranha. 
Olhava atentamente 
o movimento dos corvos, 
as cores das casas, 
a sinuosidade das ruas, 
o desnível das calçadas,
mas, 
nunca se olhava no espelho.

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